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Liza Lopes — Deputada Federal
Liza Lopes

MINHA HISTÓRIA

Antes da política, existiu uma história de sobrevivência, reconstrução e propósito

Eu não cheguei até aqui porque sempre sonhei em ocupar um cargo público. Minha trajetória começou muito antes da política, em uma realidade marcada pela pobreza, pela ausência, pela violência e por situações que me obrigaram a amadurecer cedo demais.

Foi justamente atravessando cada uma dessas experiências que comecei a compreender qual seria o propósito da minha vida.

Antes de existir uma candidata, existiu uma menina que aprendeu muito cedo o que significava não ter. Depois veio a mãe, a mulher, a empreendedora e alguém que decidiu transformar a própria experiência em uma forma de ajudar outras pessoas. É essa história que explica por que estou aqui hoje.

Comece pelo capítulo 01
Liza Lopes caminha ao lado de apoiadoras em atividade de rua, sorrindo.
Fotografia antiga e marcada pelo tempo de casas simples de madeira sobre palafitas, com edifícios ao fundo.
Capítulo 01

01. UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU SEM GARANTIAS

De Belém para Brasília em busca de uma vida melhor

Eu nasci em Belém do Pará, dentro de uma família extremamente humilde.

Poucos dias depois do meu nascimento, minha mãe decidiu vir para Brasília em busca de trabalho e de melhores condições financeiras para cuidar da família, enquanto eu permanecia inicialmente no Pará.

Eu nunca conheci meu pai biológico e, quando tinha aproximadamente seis meses de vida, aconteceu algo que mudaria para sempre a história da minha mãe e, consequentemente, a minha.

Ela recebeu a informação de que minha avó havia me vendido e que precisava retornar imediatamente para Belém se quisesse tentar me encontrar.

Sem estrutura financeira e diante de uma situação desesperadora, minha mãe conseguiu voltar para o Pará e iniciou a busca pela própria filha. Depois de muito esforço, conseguiu me encontrar novamente e me trouxe de volta para perto dela.

Eu era apenas um bebê e obviamente não tinha consciência do que estava acontecendo. Anos depois, porém, compreender essa história me fez perceber que minha vida começou sendo disputada antes mesmo que eu pudesse tomar qualquer decisão sobre ela.

Silhueta de uma menina sentada sozinha no chão de um corredor, com os joelhos abraçados.
Capítulo 02

02. CRESCER SABENDO O QUE SIGNIFICA NÃO TER

Durante muitos anos, a minha realidade coube dentro de um pequeno quarto

Mesmo depois da mudança para Brasília, as dificuldades financeiras continuaram fazendo parte da nossa rotina. Até os meus 18 anos, cresci em um quarto nos fundos de uma casa, em um espaço extremamente pequeno, onde praticamente só havia lugar suficiente para uma cama e poucas coisas pessoais.

Durante a infância, convivi constantemente com a comparação silenciosa que a pobreza produz. Eu via outras crianças, inclusive de famílias simples, usando roupas melhores, tendo calçados, brinquedos, alimentos diferentes e pequenos confortos que para mim pareciam distantes.

Até coisas aparentemente comuns, como abrir a geladeira e encontrar um iogurte, podiam representar algo que eu não tinha acesso.

Quando uma criança cresce dessa maneira, ela não percebe apenas a falta material; ela começa a entender muito cedo que existem diferenças sociais capazes de afetar até a maneira como ela se enxerga.

Essa origem também interferiu na minha forma de me relacionar com outras pessoas. Durante muitos anos, carreguei inseguranças, dificuldades de convivência e uma sensação de não pertencimento que estava diretamente relacionada à realidade social em que eu havia crescido.

Foi vivendo essa experiência que comecei a entender uma coisa que mais tarde se tornaria parte importante daquilo que defendo. Dignidade não deveria ser um privilégio reservado a quem teve melhores condições de nascer.

Detalhe em contraluz de uma jovem grávida apoiando as mãos sobre a barriga.
Capítulo 03

03. AOS 16 ANOS, MINHA ADOLESCÊNCIA ACABOU DE FORMA DEFINITIVA

Uma violência que nenhuma menina deveria enfrentar

Aos 16 anos, fui vítima de violência sexual e engravidei. Em uma idade em que muitas meninas ainda estão descobrindo o mundo e planejando o próprio futuro, precisei lidar com uma realidade que ninguém deveria ser obrigado a enfrentar.

Foi assim que me tornei mãe pela primeira vez. A maternidade chegou acompanhada de responsabilidades enormes, mas também de uma necessidade ainda maior de encontrar forças para continuar construindo minha própria história.

Aos 18 anos, conheci aquele que se tornaria meu primeiro relacionamento e, como acontece com muitas mulheres, entrei naquela relação acreditando que poderia finalmente construir uma família e ter a estabilidade que nunca havia experimentado.

Com o tempo, porém, esse relacionamento se tornou abusivo e começou a produzir novas dores dentro de uma vida que já havia sido marcada por tantas outras dificuldades.

Ainda assim, continuei tentando fazer aquilo dar certo. Eu acreditava que as coisas poderiam melhorar, construí uma família e tive mais dois filhos ao longo dessa trajetória.

Hoje consigo olhar para aquela mulher e compreender por que ela permaneceu tanto tempo acreditando que o amanhã poderia ser diferente. Milhares de mulheres vivem exatamente esse processo e, muitas vezes, não permanecem porque desejam sofrer, mas porque ainda acreditam que aquela realidade pode mudar.

Registro feito de cima mostrando equipes de atendimento cercando uma maca no piso de um saguão.
Liza Lopes e o filho posam juntos, ele apoiado no ombro dela.
Capítulo 04

04. 09 DE FEVEREIRO: O DIA EM QUE TODOS OS PLANOS FORAM INTERROMPIDOS

Eu estava preparada para deixar o Brasil, mas a minha vida tomou outro caminho

Durante a crise econômica de 2016, eu e meu então marido decidimos buscar uma oportunidade fora do país. Vendemos o apartamento, os móveis e praticamente tudo aquilo que havíamos conseguido construir ao longo dos anos para levantar recursos e começar uma nova vida na Austrália.

A decisão não era simples, mas havia esperança de que aquele recomeço pudesse oferecer melhores oportunidades para nossa família.

No dia 09 de fevereiro, chegamos ao Aeroporto Internacional de Brasília com as malas prontas e com a expectativa de começar uma nova etapa da nossa vida.

Foi naquele aeroporto que todos os nossos planos foram interrompidos. Meu filho sofreu uma queda do segundo andar do Aeroporto Juscelino Kubitschek e precisou ser levado imediatamente para atendimento médico em uma situação extremamente grave.

Na queda, além da hemorragia, meu filho perdeu o apêndice, quebrou o baço, quebrou o pulso e sofreu um corte no queixo.

Essa notícia saiu até nos jornais de brasília, só que dá pior forma possível, colocando meu filho como se tivesse saltado de propósito.

Ele passou por uma cirurgia de peito aberto e, durante todo aquele processo, precisou ser reanimado três vezes.

De uma hora para outra, tudo aquilo que parecia importante deixou de existir, porque minha única preocupação passou a ser saber se meu filho sobreviveria.

Enquanto eu permanecia no hospital acompanhando meu filho, meu então marido decidiu seguir viagem para a Austrália.

Eu fiquei no Brasil com três filhos, sem casa, sem emprego, sem os bens que havíamos vendido e sem praticamente nenhum recurso financeiro disponível.

Meses se passavam e ele não voltava. Gastando tudo o que tinhamos vendido e guardado para a viagem.

Foi aí que eu percebi que fui abandonada pelo meu ex-marido! No momento mais difícil da minha vida.

O dinheiro que deveria financiar o recomeço da nossa família acabou sendo utilizado fora do país, enquanto eu enfrentava uma UTI e tentava compreender como reconstruiria a vida depois daquilo.

Foi um dos momentos de maior vulnerabilidade e impotência que já vivi.

Profissional de saúde com equipamento de proteção cuida de um paciente internado em leito de UTI.
Capítulo 05

05. FOI DENTRO DE UMA UTI QUE EU PASSEI A ENXERGAR A VIDA DE OUTRA FORMA

Quando meu filho começou a melhorar, comecei a perceber a dor das outras mães

Com o passar dos dias, meu filho começou a apresentar uma evolução positiva. Aos poucos, os médicos começaram a demonstrar que existia uma possibilidade real de recuperação e que eu poderia sair daquele hospital com ele vivo e novamente nos meus braços.

Ao mesmo tempo, comecei a observar outras mães que estavam vivendo naquele mesmo ambiente. Algumas delas já sabiam que não teriam a mesma oportunidade, porque seus filhos não voltariam para casa.

Aquilo provocou em mim uma mudança profunda.

Eu estava destruída emocionalmente por tudo o que havia perdido, mas percebi que estava prestes a receber de volta aquilo que realmente não poderia ser substituído.

Comecei então a me perguntar como eu poderia continuar concentrada apenas na minha própria dor sabendo que sairia dali com meu filho vivo, enquanto tantas mães estavam tentando encontrar forças para suportar a perda definitiva dos seus. Essa pergunta passou a ocupar um espaço muito grande dentro de mim.

Foi nesse período que nasceu uma nova maneira de enxergar minha própria história. Eu entendi que talvez tudo aquilo que havia vivido pudesse servir para alguma coisa além de simplesmente me ensinar a sobreviver.

A dor continuava existindo, assim como os problemas financeiros e familiares.

A diferença é que, a partir daquele momento, nasceu em mim uma vontade muito maior de usar minha experiência para ajudar outras mulheres a encontrarem um caminho de reconstrução.

Liza Lopes ao lado de uma participante que veste camiseta com a frase sobre mulheres que fazem história.
Capítulo 06

06. QUANDO A DOR COMEÇOU A SE TRANSFORMAR EM PROPÓSITO

A autonomia financeira como ferramenta para devolver escolhas às mulheres

Foi a partir dessa experiência que começou a surgir o embrião do projeto que mais tarde se tornaria a Cami DF, a Câmara de Apoio à Mulher Empreendedora do Distrito Federal. O projeto nasceu da percepção de que muitas mulheres permanecem presas a situações de sofrimento porque não possuem recursos financeiros para construir uma alternativa.

Eu conhecia aquela realidade porque também havia experimentado a dependência e a dificuldade de recomeçar sem estrutura. Por isso, o objetivo nunca foi simplesmente ensinar uma mulher a empreender, mas ajudá-la a recuperar a capacidade de tomar decisões sobre a própria vida.

Começamos trabalhando com possibilidades simples e acessíveis para mulheres que precisavam produzir renda mesmo dentro de casa.

Atividades como manicure, pedicure, design de sobrancelhas, manutenção de cílios, beleza e pequenos serviços passaram a ser caminhos reais para quem precisava começar com os recursos que tinha disponíveis.

Muitas vezes, um pequeno serviço significava muito mais do que apenas alguns reais entrando no orçamento. Aquela renda permitia pagar uma conta, comprar comida, cuidar dos filhos e, principalmente, começar a diminuir a dependência de outra pessoa.

Com o tempo, percebi que a autonomia financeira representa algo muito maior do que dinheiro.

Quando uma mulher passa a gerar a própria renda, ela também recupera a capacidade de escolher onde permanecer, de onde sair e qual futuro deseja construir.

Liza Lopes fala ao microfone para um grupo de mulheres sentadas durante um encontro.
Capítulo 07

07. O EMBRIÃO DO INSTITUTO A PONTE

Quando o direito existe, mas ninguém consegue chegar até ele

Entre 2018 e 2019, outra realidade começou a aparecer constantemente diante de mim. Pessoas chegavam procurando ajuda para conseguir consultas, exames, cirurgias, atendimento de saúde ou simplesmente uma orientação sobre como acessar algum serviço público.

Em muitos casos, o direito daquela pessoa existia e havia um órgão público responsável por atendê-la. O problema era que existia uma distância enorme entre aquilo que estava disponível no papel e aquilo que o cidadão comum conseguia alcançar na prática.

Foi dessa percepção que surgiu o embrião do Instituto A Ponte. O próprio nome representa a ideia central do projeto: aproximar quem precisa de uma solução de quem possui os instrumentos necessários para oferecê-la.

O trabalho passou a envolver orientação, encaminhamento, acompanhamento e cobrança para que pessoas comuns conseguissem acessar serviços essenciais.

Muitas delas não precisavam de favor algum, mas apenas de alguém que as ajudasse a compreender o caminho até um direito que já era delas.

Essa experiência reforçou em mim a convicção de que o poder público precisa estar mais próximo das pessoas.

Quando o cidadão precisa conhecer alguém, insistir durante meses ou aprender sozinho toda a burocracia para conseguir atendimento, existe alguma coisa errada no funcionamento do sistema.

Registro em preto e branco de uma palestra para um pequeno grupo, com uma participante lendo um material impresso.
Capítulo 08

08. DEPOIS DE PERDER TANTO, FOI PRECISO COMEÇAR NOVAMENTE

O mesmo quarto da infância, agora dividido com três filhos

Depois do fim do meu relacionamento, precisei reconstruir praticamente todos os aspectos da minha vida.

Sem a estrutura que havia construído anteriormente, voltei para a casa dos meus pais e novamente passei a morar em um quarto.

Havia, porém, uma diferença enorme em relação à minha infância.

Dessa vez, eu não estava naquele quarto sozinha, porque estava ali com meus três filhos e um deles ainda se recuperava de uma cirurgia extremamente delicada.

A situação era difícil tanto financeiramente quanto emocionalmente. Ainda assim, eu sabia que não poderia permitir que aquele momento se transformasse no ponto final da minha história.

Comecei a trabalhar novamente, busquei oportunidades, desenvolvi projetos e passei a falar publicamente sobre as experiências que havia vivido.

Aos poucos, começaram a surgir convites para entrevistas, matérias em jornais, encontros e palestras em diferentes lugares do Brasil.

Durante essas viagens, encontrei mulheres que estavam vivendo situações muito parecidas com aquelas que um dia também fizeram parte da minha realidade. Algumas enfrentavam relacionamentos abusivos, outras dependência financeira, baixa autoestima, desemprego ou uma sensação profunda de que não conseguiriam mudar de vida.

A partir dessas conversas, comecei a perceber que contar minha história não servia apenas para falar sobre mim.

Muitas mulheres passaram a enxergar na minha trajetória uma prova de que também poderiam reconstruir a própria vida.

Plateia numerosa de mulheres acompanha Liza Lopes durante evento da Jornada da Mulher Empreendedora.
Liza Lopes em palco com telões laterais durante palestra para grande público.
Capítulo 09

09. 10 ANOS DE TRABALHO E MAIS DE 5 MIL MULHERES ALCANÇADAS

Uma história que deixou de pertencer somente a mim

Em 2026, completamos aproximadamente dez anos dessa caminhada. Ao longo desse período, mais de cinco mil mulheres foram alcançadas pelos projetos, atividades, palestras, orientações e iniciativas que construímos.

Cada número representa uma história diferente.

São mulheres que começaram a empreender, encontraram novas oportunidades, reconstruíram a autoestima, conseguiram orientação para acessar direitos ou encontraram forças para sair de situações que pareciam impossíveis de superar.

Esse trabalho não começou dentro de um gabinete e não dependeu de um mandato para existir. Ele foi construído com recursos limitados, disponibilidade de agenda, apoio de pessoas que acreditaram na causa e muitas horas dedicadas a tentar alcançar quem precisava de ajuda.

Durante todo esse período, eu também precisava trabalhar, cuidar da minha própria família e sustentar meus 3 filhos.

Por isso, sempre soube que havia um limite para aquilo que conseguiria realizar apenas com a estrutura que estava ao meu alcance.

Mesmo assim, conseguimos transformar milhares de histórias. E foi justamente olhando para aquilo que já havíamos realizado que comecei a entender o tamanho daquilo que ainda poderia ser feito.

Liza Lopes fala ao microfone ao lado de uma apoiadora, com painel da campanha ao fundo.
Liza Lopes conduz uma roda de conversa com moradores sentados em círculo.
Capítulo 10

10. A POLÍTICA NÃO É O COMEÇO DO MEU TRABALHO

Ela pode ser a ferramenta para ampliar aquilo que já fazemos

Eu não decidi entrar na política para começar a descobrir o que fazer depois de eleita. Durante quase uma década, já estive trabalhando diretamente com mulheres, famílias e pessoas que encontraram dificuldades para acessar oportunidades ou direitos básicos.

O que existe hoje é uma limitação de alcance. Eu consegui chegar até onde meus recursos financeiros, meu tempo, minha estrutura e minha própria capacidade física permitiram chegar.

Existem milhares de mulheres que nunca participaram de uma palestra, nunca tiveram acesso a um projeto de autonomia financeira e nunca encontraram alguém que pudesse ajudá-las a compreender como acessar determinado direito. Existem mães, crianças e famílias inteiras que continuam enfrentando problemas que já conhecemos de perto.

É por isso que a política passou a fazer sentido para mim. Um mandato federal pode transformar uma iniciativa limitada em alcance nacional, direcionar recursos, construir leis, fiscalizar políticas públicas e ampliar projetos que já demonstraram capacidade de transformar vidas.

Não quero um mandato para substituir aquilo que construímos até aqui. Quero um mandato para fazer com que aquilo que funcionou para cinco mil mulheres possa alcançar cinquenta mil, cem mil e, no futuro, tantas outras quanto for possível.

A diferença entre minha história e uma promessa eleitoral é simples. Eu não estou dizendo que um dia pretendo começar esse trabalho, porque ele já começou há quase dez anos.

Liza Lopes e Rico Rosas posam juntos, abraçados, em fundo claro de estúdio.
Capítulo 11

11. A FAMÍLIA QUE CONSTRUÍ DEPOIS DE TANTOS RECOMEÇOS

Hoje existe ao meu lado alguém que compreende o tamanho dessa missão

Depois de tantas transformações, minha vida pessoal também encontrou um novo caminho. Hoje sou casada com Rico Rosas, consultor financeiro, meu companheiro e uma das pessoas que mais acredita naquilo que estamos construindo.

Ele acolheu meus filhos com carinho, respeito e responsabilidade, exercendo uma presença extremamente importante dentro da nossa família.

Para mim, isso tem um significado especial justamente porque conheço profundamente o impacto que a ausência e a instabilidade familiar podem produzir na vida de uma criança.

Rico também é um dos principais apoiadores desta candidatura porque conhece de perto todo o trabalho que foi realizado antes dela existir.

Ele sabe que essa decisão não nasceu apenas de um projeto político, mas da vontade de ampliar uma missão que já ocupa grande parte da minha vida há muitos anos.

Hoje consigo olhar para minha família e perceber o quanto foi necessário reconstruir para chegar até aqui. O passado não desapareceu, mas deixou de determinar aquilo que seria possível construir no futuro.

Liza Lopes fala ao microfone durante evento, apontando para um painel institucional.
Capítulo 12

12. A MINHA HISTÓRIA EXPLICA POR QUE EU ESCOLHI CONTINUAR

O próximo capítulo não pode ser apenas sobre mim

Quando olho para trás, consigo enxergar muitas versões de mim mesma ao longo dessa caminhada. Fui a menina que cresceu em um quarto pequeno e aprendeu cedo o significado da pobreza, fui a adolescente que precisou se tornar mãe muito antes do que imaginava e fui a mulher que viveu situações de violência e dependência.

Também fui a mãe que passou dias dentro de uma UTI sem saber se conseguiria sair daquele hospital com o próprio filho.

Depois, precisei ser a mulher abandonada que voltou para um quarto com três crianças e praticamente nenhuma estrutura para reconstruir a vida.

Nenhuma dessas experiências foi simples e eu não romantizo aquilo que vivi. Se pudesse escolher, muitas dessas dores nunca teriam feito parte da minha história.

Mas, depois que elas aconteceram, precisei decidir o que faria com tudo aquilo. Foi dessa decisão que nasceram projetos, palestras, atendimentos, iniciativas sociais e milhares de histórias de mulheres que passaram a acreditar novamente na possibilidade de recomeçar.

A política não representa uma mudança de direção na minha vida. Para mim, ela representa a oportunidade de dar escala a um trabalho que começou muito antes de qualquer eleição.

Depois de quase dez anos fazendo aquilo que estava ao meu alcance, acredito que chegou o momento de ampliar esse alcance.

Quero usar a estrutura pública para criar oportunidades, fortalecer mulheres, proteger famílias e aproximar as pessoas dos direitos que muitas vezes existem, mas continuam distantes da realidade de quem mais precisa.

Meu nome é Liza Lopes, e essa é a história que me trouxe até aqui. Agora, quero transformar tudo aquilo que aprendi vivendo, trabalhando e recomeçando em força para ajudar muitas outras pessoas a escreverem capítulos diferentes para as próprias histórias.